

Alguns dias, alguns meses sem vir aqui, por uma única razão, o Lucas Zoilo, 30.12.2008, o meu filho.
O blog de 1 santomense para 1 mundo. «Antes da Solidariedade a Crítica». In «Representações do Intelectual», Edward W Said. Ed. Colibri.


Alguns dias, alguns meses sem vir aqui, por uma única razão, o Lucas Zoilo, 30.12.2008, o meu filho.



- Foi cobarde na fase final das eleições de 2000, quando não soube «bater os pés», não soube reagir com a contudência e sujidade necessárias - recusou a proposta da One Million March, preferiu ficar em casa com a família a espera -, à orquestração bem montada pelos Bush na Florida, uma vez mais a opinião pública percebeu e deixou que ele perdesse as eleições.

Dos grandes albuns rock, de 2000 até 2007, o First Impressions of Earth tem de estar nos 5 1ºs.


(1932 - 2007 )

Hot Chip.







Enquanto o Fisco não me devolver o que me deve. Sigo com 2006.
Abílio Neto

Faz trinta anos, Fevereiro de 1977, que uma ditadura estúpida - redundante totalidade -, entendeu - discordante concepção-, que devia destruir a minha família, como sempre acontece com as ditaduras, que quase conseguem tudo, quase conseguiram.
O quase, neste caso, não aconteceu porque muitos nos ajudaram a impedir que o ditador levasse o mal que lhe corre no sangue ao limite de uma hemorragia fatal. Suponho que vontade não lhe terá faltado, pois, chegou a haver hemorragia com o Sr. Lereno Mata.
Antes e durante a prisão dos meus pais, entre a pressão da Amnistia Internacional e a pressão de muitos democratas no estrangeiro, e depois, quando sairam da prisão, entre a ajuda da UNCHR / ACNUR e a ajuda de familiares e amigos, devo, e deve a minha família, o evitar da «quase» destruição.
Há coisas que não se pode esquecer. Belo, triste e luminoso, este Dia dos Refugiados. Obrigado.
Abílio Neto

Sendo inevitável, porque vivo em Portugal, venho acompanhando, com alguma reserva higiénica, o debate sobre a construção do novo aeroporto de Lisboa.
E do insuportável barulho a volta, a única coisa que não me sai da cabeça, zumbe-me mesmo aqui dentro, é ter chegado a conclusão que os portugueses são os melhores «hesitadores» - pessoas inspiradas que fazem de hesitar uma qualidade indispensável para a boa decisão - e que, por isso, este país está cheio de «exitadores» - tipos que passam a sua vida a aplaudir ou a apupar os «hesitadores», normalmente, são opinion makers, putativos ou de facto, ou especialistas de qualquer coisa. Portugal consegue ser o único sítio do mundo em que o êxito de muita gente está associado ao aplauso e / ou ao apupo, alguma dessa muita gente, consegue aplaudir e apupar x 2, ou seja, em simultâneo, é o êxito do olha-que-eu-bem-avisei, sem que se perceba qual foi o aviso ou o seu sentido.
A volta de um projecto de construção de um aeroporto cria-se tanto fuzz estúpido, que sou obrigado a imaginar como teria sido a discussão sobre a Descolonização, com os quase - mesmos «hesitadores» e «exitadores», sim, porque em Portugal é quase sempre o mesmo pessoal a fazer, a não fazer ou a desfazer tudo.
Assim, vendo o que se está a passar com o novo aeroporto de Lisboa, se explica o hesitante êxito da Descolonização.
Até há pouco tempo, ainda tinha dúvidas, sobre a forma como teria sido feita a discussão sobre a Descolonização em Portugal, agora, deixei de as ter.
Abílio Neto










Depois disso, e até muito antes, sinceramente, acho que só estando muito desatentos não se vê que o mundo já está, também, a admirar e a suspirar por outro tipo de mulheres, que não as canónicas miss e top model, p/ ex., que passaram a ser efectivamente uma realidade definitiva para dealers (das 10.000 espécies que existem), e uma não realidade simbólica para o resto dos mortais, desde que se lhes descobriu tudo o que não são nem podiam ser, e desde que a Carrie Bradshaw, de «Sexo e a Cidade», colocou no centro do mundo os Manolo Blahnik, coisa que nenhuma beleza canónica conseguiu com nenhum spot publicitário, para qualquer produto, repare-se, nem a Sarah Jessica Parker - que está longe de ser canónica - o conseguiu para o seu perfume!
Sou suspeito e desconfio que não serei apanhado.
Pessoalmente, sou suspeito, até ter visto Annabella Sciorra no Funeral de Abel Ferrara, a minha «mulher ideal» era a Debra Winger, a mais real e hot das mulheres que alguma vez vi representar e representada, isto, enquanto, pelo meio, fui lendo e admirando a Terry McMillan, a tipa mais groovy a criar mulheres de verdade, daqueles por quem se suspira, sem pensar sobre a sua realidade.
Sou mais suspeito ainda, no caso das portuguesas.
Não conheço portuguesas mais giras e elegantes do que a Maria de Medeiros (quando veste um vestido azul), a Maria João Seixas (quando a gaguez lhe dá mais palavras, duplicado-as), Maria Filomena Mónica (quando toca no cabelo e olha para a camara), a Mísia (quando a franja não sai do lugar) ou a Guta Moura Guedes (quando usa t-shirts). Sinceramente, não conheço. Se houver, agradeço que me indiquem.
Expliquei-me, julgo, sem necessidade de pensar na «Ugly Betty», que não é para aqui chamada!

(Um verdadeiro fumador até aos 84 anos.)
Apetece-me escrever tudo, mas não vou dizer nada.

Há coisas.
Anteontem vi a entrevista ao Sócrates na RTP. Vi quase toda.
Parece que perdi a parte em que o Primeiro-ministro hipotecou qualquer hipótese de vir a ser reeleito, foi quando «desconsiderou» a classe dos «engenheiros» deste país, ao insinuar que o título, o de engenheiro, repito, engenheiro, é mera prática social; parece-me que ele não deve saber onde está e se não sabe atrevo-me a dizê-lo: «Caro José Sócrates, você está em Portugal, não se meta com os Engenheiros... e, já agora, agradeço que não se meta com os Doutores também»!
Enquanto via a entrevista, 50 minutos de justificações sobre um diploma, veio-me a cabeça uma entrevista do Bill – I Did not Have Sexual Relations With That Woman - Clinton a justificar com dispensável desfaçatez o que fez ou desfez com a Mónica Lewinsky e também pensei em Espanha, sim, outro que quer comparar; não, outro que vai comparar, mesmo.
Espanha.
Há duas semanas, numa quarta-feira também, a TVE emitiu, mais ou menos a mesma hora, o Tengo una pregunta para Usted, um programa apresentado pelo Lorenzo Milá e que consistia em 100 cidadãos comuns fazerem perguntas ao Presidente do Governo José Luis Rodríguez Zapatero, vulgo, ZP. Foram feitas 42 perguntas em quase 3 horas.
Num clima informal, dentro do possível e do orquestrado, o Presidente e o Apresentador em pé, face a plateia da mais representativa Espanha, ou seja, da esquerda à direita, porque Espanha é isso, um país de uma coisa ou de outra.
Como não podia deixar de ser, as questões andaram a volta da ETA, dos Atentados de 11 de Março, da Guerra do Iraque, do Desemprego, da Habitação, da Relação com a Igreja, da Lei da Paridade, dos Mileuristas – uma nova classe que os espanhóis inventaram, pessoas que ganham € 1.000, e que têm que viver «só» com esse salário, o equivalente aos «Quinhentistas» portugueses -, enfim, e perguntas sobre outros temas.
Mas, de todas perguntas, gostei mesmo foi desta:
Um dos 100 espanhóis: Cuánto vale un café?
Zapatero: ... 80 céntimos! – Disse o Presidente, depois de uma pausa de surpresa, algo comprometedora, mas segura.
Foram 8 dias de discussão entre opinion makers a ver se o preço da chávena de café do Presidente era real.
Ainda Espanha.
Na segunda-feira, a Ministra da Educação espanhola anunciou uma reforma ao plano de estudos para o ensino superior, do pacote consta a unificação das engenharias, resumindo, deixa de haver a diferença entre o bacharelato e a licenciatura.
Abílio Neto